Desafio da Sereia – O navio e o beijo

H.K. BelknapUma tempestade estava a caminho. Os ventos carregavam o navio de um lado pro outro, fazendo-o dançar no imenso oceano. Ali, corajosos marinheiros contavam histórias sobre aquele mar que tanto lhes era familiar. Uma das mais frequentes histórias, era a de que sereias habitavam a região. Sereias essas que atormentadas por serem retiradas de seu habitat, se enfureciam perante os humanos que ali passavam e descontavam todo seu ódio sobre eles.

Passavam por uma ilha onde se avistava várias embarcações naufragadas. Para os marinheiros, onde havia destruição e violência, haviam sereias. A bebida só fortificava a ideia que eles estavam sendo atacados pelas bestas marinhas. O navio pareceu atraído pela ilha, logo eles beiravam o cemitério naval. A tripulação bêbada e assustada correu atrás do capitão, que a essa altura estava morto. Pobre e velho infeliz. Não havia ferimento algum em seu corpo, mas todos tinham a certeza de que fora uma sereia. O capitão apenas estava roxo. Como se lhe faltasse qualquer tom humano.

Afim de deixar os passageiros à parte da situação, esconderam entre entulhos o corpo do capitão. A situação já parecia ter controlado o navio. Era tarde demais. Gente corria de um lado pro outro. Uma mulher gritou de certo modo que o clima de horror atingiu seu ápice. Foram todos ver o que tinha acontecido à pobre mulher. Chegando ao seu quarto, depararam-se os tripulantes, com a mulher segurando seu marido. Morto e roxo. De modo inumano. Tentaram se comunicar com a mulher, em vão, já que não existe palavra confortante na hora da morte, é só o choque e o sofrimento, nada mais. Ela gritava com o marido, e amaldiçoava as sereias. Os ajudantes do já morto capitão viram aí a realidade de todas aquelas conversas sobre as bestas. No fundo eles acharam que tudo era história de marinheiro, que entediados de ficar dias no mar, criavam histórias para se divertir e se amedrontar. Agora as histórias pareciam ser sérias e eles já não podiam mais voltar.

Um dos passageiros se apresentou à tripulação dizendo ser médico e que poderia auxiliar com os corpos.

– Vocês vão seguir viagem? – disse o médico.

– Sim, não temos outra escolha. Não sabemos o que está acontecendo aqui, há muitas lendas sobre tudo isso. – falou o marinheiro que agora guiava o navio.

– Que besteira essa história de sereia! Vocês são adultos, não podem espalhar mentiras dessa maneira! – disse rindo.

– Então, Senhor, nos dê uma explicação mais óbvia que isso.

Ambos calaram.

O médico esperava aquela viagem por um bom tempo. Era seu único sossego em anos. A dor de cabeça que a clínica o dera, não tinha fim. Ria de desgosto. Ouviu um silêncio profundo. Onde há silêncio, há morte, pensou. Voltado à cabine, deparou–se com os corpos dos marinheiros ajudantes. O navio parecia amaldiçoado e condenado a morrer.
Teve pena dos jovens rapazes. Fechou os olhos em algum ato de fé e só os abriu quando o tempo já não lhe importava. Viu uma sereia. A mais irremediável e destrutiva besta marinha era uma linda mulher. Tão bonita que o fazia se sentir feliz. Fazia-o lembrar de sua mulher. Era perfeita. Sentiu o doce beijo da besta e toda sua dor de repente se curou.

/H.K. Belknap.

Cor de fogo

tamires

 

Minha pequena sereia. Não sei se apenas sonhei, mas ainda tenho sua imagem à minha cabeça. Vindo ao meu encontro no fundo do mar, com toda sua beleza e teu cabelo cor de fogo reluzente, cumprido e fascinante. Desconheço os traços de seu rosto, só guardo na memória aquela cor de fogo, fios que nunca irei esquecer. Sou um menino naufragando.

Todo esse perigo me deixa fissurado, sei de suas malícias e perversidades, menina marota e traidora, mas todos teus pecados me atraem. Vadia sexy! Ainda quero me deitar nos seus mares.

Necessito voltar nas ruínas, só pra sentir aquela sensação novamente, e ver o vermelho de seus fios me encobrirem, como lençóis. Preciso me afundar em tua astúcia. Sereia que me apareceu no momento mais inoportuno, me salvou dos mares, mas me deixou na perdição. Sou um homem alucinado.

/Tamires Oliveira

Desafio da Sereia – Meu (En)Canto

guilherme

De onde vem, oh! marinheiro? Da cidade além–mar,
Do povoado corrompido, da sua angustia urbana,
Do núcleo rural, esquecido ou de nenhum lugar?
Dia louco, sem você, me fez a insana das insanas!

Aqui, na minha canção, eu ofereço… a paz,
Ofereço meu corpo, quase sem alma, de solidão.
Ofereço o amor que nunca teve e ofereço mais:
Eu me dou para você, caso ainda tenha coração.

Vem! Vem para meus braços, desconhecido amigo,
Nas ondas da minha paixão e da sua libido!
Eu quero apenas você, assim, junto de mim…

Serei sua mulher, sua companhia na areia,
Não serei mais triste (e faminta) sereia.
À deriva, à espera de um apaixonado “sim”….

/Guilherme Ramos

Desafio da Sereia – Sonho ou Realidade?

sereia1

– Meu Deus que loucura!!! – Me joguei para o lado saindo de cima dela e cai exausto sobre os travesseiros passando as duas mãos no meu rosto para tirar o molhado do meu suor, depois virei e fiquei admirando ela, enquanto seus imensos olhos verdes me fitavam expressando gratidão!

– Não pensei que fosse tão bom Alex! – Ela fala com sua voz serena e não consigo prestar atenção no que ela me disse, só fico olhando para seus lábios carnudos.

– Desculpe… Tsélia o que foi que você disse?

– Seu bobo, esta no mundo da lua? (risos) Eu falei que não imaginava que ia ser tão bom, lembre que foi a minha primeira vez… – Ela falava olhando pra mim com uma expressão de safada que me deixou louco e passei a mão no seu cabelo ruivo e beije ela novamente! – Que mulher! – Fizemos amor novamente até a exaustão! Mas algo ainda estava confuso na minha cabeça, como uma mulher tão linda pode se apaixonar por mim? Tudo começou quando eu estava na praia de Jurerê internacional e enquanto eu nadava em volta da laje que fica entre a praia de Jurerê e a praia do forte notei um vulto me seguindo, olhei para trás e rapidamente ele sumiu! Pensei comigo – Seria um peixe dos grandes? Não… Não pode ser, aqui nessa praia não dá esse tipo de peixe! – Continuei a mergulhar, mas logo em seguida eu senti que estava sendo seguido e rapidamente me virei e lá estava ela, uma das mulheres mais lindas que eu já tinha visto na vida, fiquei tão paralisado com a sua beleza que esqueci de respirar e quase me afogo! Ela rapidamente me pegou pelo braço e me levou até a superfície!

– Você está louco? Não se pode respirar na água, a menos que você seja um peixe? (risos)

– Me desculpe… (tosse) Eu fiquei surpreso quando você apareceu… (tosse)

– Vamos até a praia, eu te ajudo!

Ela me ajudou a nadar e logo que chegamos na areia pude ver que mulher linda era ela! Seu corpo era perfeito, seios médios e firmes e um rosto angelical com lindos olhos verdes e o cabelo… Há que cabelo lindo totalmente ruivo!

– Tsélia…

– O que?… Não entendi?

– Meu nome é Tsélia! (risos) E o seu qual é?

– Alex!

– Bonito nome! – Ela me olhava com uma expressão de desejo que não tinha homem na terra que resistiria a ela, e foi assim que acabamos aqui na minha casa no fim de tarde, ela veio caminhado comigo pelas ruas do bairro só com o seu biquíni minúsculo e não tinha uma pessoa que não olhasse, ela era linda demais! Eu me senti o homem mais feliz do mundo, e depois de umas bebidas acabamos fazendo amor de uma forma que eu nunca tinha experimentado com nenhuma das mulheres que eu já tive na vida! Ela simplesmente era fantástica, uma mulher que parecia ter vindo de outro mundo!

– Ei Alex, você não está prestando atenção no que eu estou falando? (rios) Parece que está no mundo da lua? (risos)

– Desculpe Tsélia, é que… Bem eu ainda estou meio surpreso com o que fizemos…

Ela me interrompe e pula em cima de mim e me abraça e me beija demoradamente, depois de uma pausa ela ficou olhando dentro dos meus olhos e sorriu dizendo – Você não faz nenhuma ideia de quem sou eu né?

– Só sei que você é uma mulher incrível Tsélia, e pra mim isso é o que importa!

– Mas você não quer saber de onde eu venho?

– De onde você veio eu não sei Tsélia, mas para onde você vai eu sei bem…

Ela arregala os seus lindos olhos e espantada diz que não entende o que eu quero dizer com isso!

– Tsélia agora você vai ficar aqui comigo para sempre! – Ela sorri e se levanta da cama dizendo que isso não seria possível, pois ela tinha muito pouco tempo, mas que a gente poderia se ver de vez em quando.

– Você é bem bobinho mesmo Alex, não sacou nada de diferente em mim? – Ela falava exibindo seu corpo escultural na minha frente enquanto passava as mãos nas suas coxas e me olhava com desejo!

– Não entendo o que você quer dizer Tsélia, mas vamos deixar isso de lado e vem aqui comigo… – Peguei ela pela mão e fomos para a parte de trás da minha casa onde tinha uma Jacuzzi e levei ela até a borda da banheira e convidei ela para entrar, ela olhou para a Jacuzzi e ficou assustada, olhou para os lados e principalmente para a janela da casa visinha!

– Não… Não posso… Você não entende né? – Ela estava apavorada olhando para os lados e para a banheira, demonstrado claramente que não queria entrar na água!

– Alex, você não sabe que sou, eu não posso entrar ai…. Por favor!… Você não entende quem eu sou?

Foi ai que me veio a imagem dela me seguindo de baixo d’água, e pensei como ela poderia ter aparecido ali naquele momento? Então eu comecei a ficar tremulo, pois a única explicação para isso era que ela seria uma Sereia? Não… Não pode ser… Fiquei longe nos meus pensamentos quando ela me abraçou e sussurrou no meu ouvido.

– Pela sua cara você já descobriu o meu segredo, eu vou embora antes que possa acontecer o pior!

Fique parado ali sem dizer uma palavra enquanto ela rapidamente colocou o seu biquíni e saiu me dando um tchau e sorrindo enquanto mordia os seus lábios carnudos! E eu fiquei igual a um babaca olhando para o vazio na minha frente e pensando – Perdi a mulher mais linda da minha vida!

Na manhã seguinte eu acordo mais cedo que o costume ainda com a lembrança daquela mulher linda que encontrei no mar aqui em frente, mas quando caminho para fora de casa com um copo de suco na mão para pegar o jornal eu ouço uma buzina e quando olho para o meu vizinho me surpreendo com o que eu estou vendo! Tsélia no carro dele acenando com a mão e rindo em quanto o homem ao seu lado acena também e vão embora!

Fico parado com o copo na mão por alguns minutos enquanto o carro vai se distanciando até que o meu amigo Tiago bate nas minhas costas me tirando do meu transe!

– Que gata hein Alex?

– Você conhece ela? – Perguntei assustado

– Claro rapaz ela é a esposa do Felix, digo do Delegado Félix!

– Esposa?… Delegado?…

– O seu mané, nunca saca quem aluga essa casa do seu lado né? Eles alugaram por uma semana e estão indo embora para Porto Alegre, ouvi dizer que essa mulher é uma baita vadia, o seu marido saia para jogar tênis e ela aproveitava!

Fiquei surpreso com o que ele acabara de me dizer e fique com cara de bobo! – Então ela… Ela não é uma sereia?

– Alex acorda cara! Sereias não existem… De onde você tirou essa ideia? (risos)

Então é por isso que ela não quis ficar lá atrás de casa, a sua janela dava para a minha área e com certeza ela já deve ter me visto ali com a Jéssica a minha namorada! Fiquei rindo sozinho e tive que concordar com o Tiago, mas de uma coisa eu sei, deusas existem, e ela era uma delas.

 /Fred Süssekind

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