Desafio “Sexo” – Programa

garotadeprograma

Já passava das três… da manhã. O cigarro babado, manchado de batom, o gosto de cachaça barata, na boca e nas roupas, a terrível sensação de que seria mais uma noite em claro… Ah! Isso acabava com seu humor.

Lá estava ela, de um lado para o outro, desde as onze… da noite. E ele não chegava. Podia ser aceitável para as outras, mas não para ela. Odiava atrasos. Ela tinha horário a cumprir. Tinhas coisas para fazer. Tinha contas a pagar. Era independente. Autônoma. Mas dependia de seus parceiros para cumprir a meta mensal. Do contrário, seria um inferno completo: fazer mais por menos, sem restrições, apenas para não ficar no prejuízo. Estava cansada disso.

A pior coisa do mundo não é vender o corpo, pensava. Isso é fácil. E rentável, em alguns casos. Pior, pior mesmo, é querer basear o processo na idealização, no desejo dos outros. É loucura. Gosto pelo gosto, há espaço para tudo e todos (doa em quem doer…): se está muito jovem, é prato cheio para os tarados de plantão. Se está madura demais, não importa, desde que encontre homens maduros. Se está muito magra, há os adoradores da bulimia. Se está acima do peso, há os que gostam de excessos. Se está “bombada”, existem os fissurados nos extremos da malhação. Se está em forma, nem mais nem menos, você só fez sua obrigação. Há os clientes de sempre.

Quando começou nessa vida (nada fácil, diga-se de passagem), o conselho que lhe deram foi: “Se quer dar, dê. Por amor ou por dinheiro, mas dê. Cedo ou tarde alguém vai te comer. Você querendo ou não. Você não vai perder sua virgindade para os vermes – sejam os de baixo ou os de cima da terra, certo? Ou para um dedo, um vibrador, uma cenoura, uma banana, um pepino… Ah! Seja, ao menos, sensata. Procure, antes, um amor fictício, apaixone-se. E dê. Dê muito. Curta a doação. Depois, dê pra quem quiser. Se puder ganhar uma grana com isso e ainda se divertir e gozar, massa! Senão, guarde a boa lembrança do primeiro amor. Isso lhe confortará nas noites ruins. Claro que elas existem. Quando você descobrirá a diferença entre fazer sexo, transar e fazer amor. Pensa que é a mesma coisa?”

 A dúvida permaneceu em sua mente até conhecer um péssimo cliente. Suado, seboso, sem noção. Sem dúvidas, aquilo foi uma transa. Onde o objetivo, saciar o desejo, foi apenas dele. Ela, mera coadjuvante, abriu as pernas e fechou os olhos. Não precisou esperar muito. Felizmente, ele gozou rápido. E pagou bem. Ao menos, isso.

Aí se lembrou da sua primeira vez. Aquilo foi fazer amor, cujo objetivo era transar (saciando o desejo de ambos), com sentimentos recíprocos. Apesar da dor inicial, tudo foi maravilhoso com o passar do tempo. Quando se conheceram melhor. Quando seus corpos respondiam aos estímulos sexuais quase que automaticamente. E percebeu que também houve momentos de pura transa, quando eles queriam apagar o fogo entre as pernas, enquanto o amor relaxava num baú dourado, dentro de seus corações. Nesse momento, não havia tanto sentimento, o tesão (dos dois) era só o que importava!

Olhou o relógio. Já eram quase quatro horas… da manhã. Uma figura surgiu pelo outro lado da calçada. Sorria, sem jeito. Hesitou aproximar-se. Ela se encostou numa parede e fez um gesto discreto, chamando-o sensualmente. Ele atravessou a rua e se aproximou tanto que seus hálitos se confundiam.

– Cachaça? – Disse ele.

– Uísque? – Disse ela.

– Desculpa o atraso. Foi difícil arranjar as flores, a música, os incensos e os energéticos. O que vai ser hoje?

– Sexo.

– Sexo? Tem certeza disso? Pensei que…

– Tenho. – Interrompeu-o delicadamente, pondo dois dedos sobre seus lábios. – Chega dessa vida. Hoje eu quero ser mãe.

 

/Guilherme Ramos

Desafio “Sexo – Onde esteve?

getEla estava amarrada. A cabeça doía e sentia tonturas. Estava numa cadeira, em meio a um galpão vazio, na mais pura escuridão. O ar era pesado e o silêncio quase absoluto se não fosse os grilos do lado de fora. Ficou naquela inércia por quase meia hora, e talvez tenha se passado mais tempo, não lembrava se havia dormido nesse meio tempo.

Eis que ouviu um forte barulho e uma luz forte se acendeu. Seus olhos agora doíam com a claridade e a dor de cabeça estava mais acentuada. Ouviu passos que ecoavam no galpão. Quando conseguiu enxergar, ele já estava na sua frente.

Era alto, usava roupas largas e o cabelo grande na altura dos ombros. Sua feição era severa, mas seus olhos tinham um doce brilho travesso. Ele se agachou e ficou com o rosto de frente ao dela. Sua cabeça estava confusa, pensou em perguntar, mas só conseguia gritar de pavor. Ele deu um tapa em seu rosto e a beijou. Levantou-se e seguiu de volta a porta do galpão.

O terror era claro, e a respiração estava ofegante. Gritou por ajuda, perguntou o porquê, mas não obteve nada além de sorrisos sarcásticos como resposta. Ele saiu e quando voltou, trazia duas maletas. Colocou-as no chão lado a lado e abriu a da esquerda. Apesar de não falar, parecia um tanto nervoso. Antes de mostrar o conteúdo da maleta, se levantou, tirou a camisa e enxugou o suor da testa. Abaixou-se novamente em direção a maleta e ao se levantar olhou novamente para ela de forma travessa.

Se aproximou dela com um embrulho nas mãos. Uma faca enrolada num pano branco. Mostrou pra ela e ficou acariciando o seu rosto com a lâmina. O toque frio da faca em suas bochechas, mesmo que sem cortar, a fazia tremer e chorar, pedindo por misericórdia. Então novamente ele deu um tapa em seu rosto e desta vez beijou sua testa. Pegou a lâmina e fez alguns cortes nos ombros brancos dela.

O suor frio se misturava com o sangue e os gritos de dor se misturavam aos de horror. Ele continuou cortando seu corpo, cortes não tão profundos a pontos de causar uma hemorragia mas o suficientes para que o sangue saísse mesmo assim. Ela se contorcia de dor e horror ao ver seus sangue, manchando suas roupas e respigando no chão. Ele pegou outra cadeira e ficou observando, de frente pra ela. A lâmina ainda estava com o sangue da dama e ele fazia questão de passar em sua língua suavemente, saboreando e desejando mais daquele néctar.

Sem nenhum tipo de aviso, voltou a maleta da esquerda e agora tinha um pedaço de tecido em sua mão. Ao chegar perto dela, enxugou o sangue de seus braços com o pano e depois o enrolou em volta do seu pescoço. Ela tentou mais uma vez gritar inutilmente mas, foi impedida por um movimento súbito que apertou o tecido em seu pescoço, a fazendo sufocar. Ele deu um nó e prendeu uma parte na cadeira. Agora seus espasmos eram por conta do seu leve enforcamento e mais uma vez ele sentou na cadeira a sua frente e ficou observando. A devorava com os olhos e não se conteve em seu prazer sado e começou a se tocar. Logo estava sobre ela, mordendo as feridas das facas e forçando mais o pescoço da dama com as mãos.

Quando ela estava quase desmaiando, foi até a maleta da direita e tirou uma pistola. Ela não conseguia mais abrir os olhos e não pode ver a próxima peça de sua execução. Ele tinha um silenciador e foi andando até ela calmamente. Ao parar na sua frente, soltou o tecido e deu um beijo em sua boca, com tamanha volúpia que sua respiração serviu de apoio para a dela. Ainda com os olhos fechados e com o corpo mole, ele apontou em direção ao seu peito e atirou. Foram três disparos com tamanha precisão que só um profissional conseguiria. Soltou as amarras e deixou o corpo repousar no chão. Guardou as coisas em suas respectivas maletas e saiu. Depois de pelo menos meia hora, ele voltou e o corpo dela estava lá. Ele então tirou sua calça e começou a despir o corpo frio, e logo ele estava tomando com uma selvageria desconhecida. A penetrava com força e dava tapas em seu rosto, mordia seu ombro e apertava seu pescoço com as mãos. Quando chegou ao seu ápice, deitou-se exausto ao lado dela e acariciava-lhe os cabelos, como se ela ainda estivesse com vida.

Depois de um tempo, se limpou e se vestiu. Pegou o corpo no colo e o levou para fora onde uma cova estava lhe esperando. A enterrou, e deixou a bela dama em seu descanso eterno.

Pegou seu carro, voltou para casa. Entrou como se nada tivesse acontecido e beijou sua esposa.

– Onde esteve até essa hora querido?

– Resolvendo coisas da empresa meu amor…

 

/juhliana_lopes

Desafio “Sexo” – Frígida

sadomasoquismo_linkEra frígida. Muito frígida. Completamente frígida. Do tipo que fica olhando o teto, escolhendo a cor ideal, enquanto o marido está enfiado nela, já dando a “terceira” na mesma noite, pra ver se ela goza também. Quando ele tomba de lado, exausto, sonolento e suado, ela se levanta, toma banho (de touca), escova os dentes, põe creme no rosto, nos braços, nas pernas, desliga a luz do banheiro e, na total escuridão, volta para a cama. Demora a dormir. Sua mente funciona diferente e quase nunca sonha.

Desde pequena foi assim. Estranha. Esquisita. Excluída. Não tinha amigos na escola. Não brincava com as crianças na rua em que morava. Solidão era coisa comum. Seus pais se separaram quando tinha dois meses. Não se lembra do pai. Lembra da mãe só até uns oito anos. Ela saiu de casa para comprar leite e nunca mais voltou. Criada pela avó, sentia-se só mais uma fêmea em processo de engorda, à espera do abate.

Sempre teve dificuldade em sentir prazer. Talvez nunca tenha sentido. De nenhum tipo. Nem com sorvete de chocolate, durante o verão. Nem com chocolate quente, em pleno inverno. Frieza. Isso lhe parecia acolhedor, familiar. Talvez… Não, não. Mesmo assim, não conseguia Sentir. Nem isso. Nada.

Quase não teve namorados. Na realidade, só um. E casou com ele. Virgem. Ele a amava. Só bastou isso. Vários anos juntos. Nenhum filho. Sexo recatado. Luz apagada. Marido quente. Ela, fria. Nem morna ficava. Houve muito esforço do marido. Para agradá-la. Para excitá-la. Nenhum sucesso. Chega uma hora que o outro não aguenta. Vai embora. De mala e cuia. Explica a razão. Ela apenas olha. Ele chora. Ela, não. Ele vai. E nem saudade ela conseguiu sentir.

Ficou só. Ela e a casa. Não quis mais sair de lá. Fazia compras pela Internet. Pagava com cartão de crédito. Evitou, a todo custo, contato humano. Um dia, uma semana, um mês. No escuro. Sem ninguém. Até baterem em sua porta. Não atendeu. Não era dia de entrega. Bateram novamente. Insistiram. Muito. Ela decidiu ver quem era.

Tão logo girou a maçaneta, foi empurrada para trás, bruscamente. À porta estava um homem mascarado, cheio de más intenções. Ela tentou correr, mas foi agarrad. Tentou gritar, mas teve sua boca amordaçada. O homem segurou-lhe pelos cabelos, fungou-lhe o pescoço e lambeu suas orelhas como um animal faminto. Pela primeira vez, ela sentiu algo. Seria, aquilo… Medo?

Não teve tempo de raciocinar. Amarrada à cama, teve suas roupas rasgadas. Seu corpo foi possuído como nunca havia sido. O homem era um faminto. Deveria estar sem sexo há anos. Ela, ela… ela entendia aquilo. Ela sabia o que era ser privada de algo por toda a vida. Ela queria aquilo. Ela queria sentir prazer. Aquele homem estava tão faminto… Tão fogoso… Ela, ela… ela também queria estar!

O homem continuava. Era insaciável! Que coisa! Que coisa!… Que coisa gostosa! Que macho esplêndido! Que cacete gostoso! Que porra louca era aquela situação! E o que era aquele arrepio? O que era aquele arrepio? E os seios duros? Os mamilos armados, apontando para seu desconhecido violador, implorando para serem apertados, lambidos, chupados…

– Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!… – Ela gritou. – Me fode! Me fode! Me foooooooodeeeeeeee!!!!

O homem parou por uns instantes. Ela se conteve. Ele, puxando-lhe pelos cabelos, colocou-a de quatro e a penetrou. Mordeu ombros e pescoço. E ela… adorando. Querendo mais. Mais rápido. Mais forte. Mais. Tapas, mordidas, lambidas… Não sabia explicar o que estava sentido. Apenas sentia. Como nunca sentiu antes. Como queria sentir sempre. Tremeu, chorou, riu, gargalhou, ruborizou…

– Gozei.

Ao ouvir aquilo, o homem parou, vestiu-se e foi embora.

– Você vai… voltar? – Sussurrou, antes de adormecer, mesmo sabendo que ele não escutaria.

Para sua surpresa, ele voltou na outra noite. Mascarado. Violento. Insaciável. Como na primeira vez. Vieram outros dias, semanas, até completar o mês. O sexo ficava cada vez melhor e os orgasmos, múltiplos – não importando se à meia luz ou com todas as lâmpadas acesas…

– Você vai voltar? – Certa vez ela falou em alto e bom tom. Para ter certeza de que ele escutaria.

Calado, o homem afastou-se e a observou. Exausta, nem podia se defender. Ele poderia matá-la naquele momento, que nem reagiria. Até morreria feliz. Mas ele apenas se vestiu e foi embora. Ela ainda pensou em impedi-lo, mas… com que forças? Ele foi embora. De mala e cuia. Sem explicar a razão. Ela apenas olhou. Ele não chorou. Ela, sim. Ele foi. E a saudade já começou a surgir…

– ATÉ QUANDO VOCÊ VAI VOLTAR? – Gritou. E gritou alto.

– Até que a morte nos separe. – Disse seu marido, voltando ao quarto com a máscara nas mãos…

 

/Guilherme Ramos

Desafio “Sexo” – Quem vai para melhor sorte?

sexofragilIsto é segredo, exceto para Deus, diria Sócrates.

Mas Dimas preferia esculachar. Na mesa de bar, apesar das contrições vistas nos olhos de seus convivas, Dimas continuou esbravejando. Falando impropérios contra as ONGs de minorias e direitos humanos. Defendendo a posição do Deputado-Pastor, o tal que ganhou destaque nas páginas de jornais, nas revistas, nos telejornais. Buscou, é bem verdade, aparecer, mas conquistou seu lugar na vitrine da mídia. Dimas rebatia cada crítica que faziam. Calada, Luana pensava com seus botões: – Só gagueja quando fala manso, é todo tímido e recatado até para tirar a roupa. Qual será o motivo de nunca ser firme comigo, de nunca afirmar seu amor, sua paixão. Por vezes até simula, esconde, retrai-se quando está muito afim, eu vejo, sinto que está, sei que quer, mas ele desvia, desconversa, disfarça, se afasta.

Dimas aumentou o tom. Nas outras mesas, as pessoas entreolharam-se e reprovaram o discurso daquele homem grande, meio gordo, meio forte, cabelos ralos engomados com gel fixador cobrindo as entradas e a calvície monjal. Os óculos se contrapunham ao falatório, era moderno, de titânio e apliques coloridos de couro, formato côncavo, em grande angular a armação quase encostava nas têmporas. Num arremedo impensado falou e todos ouviram: – Quero mais é que estes gays morram!

Silêncio.

De longe alguém arrastou sua cadeira de volta à posição na mesa e disse aos seus, também para ser ouvido: – É louco! Vai acabar apanhando.

Outro mais próximo de Dimas acendeu o pavio: – Mais uma bicha enrustida!

Ao ouvir aquilo Dimas imediatamente levantou-se derrubando a cadeira. Partiu para cima do cara bufando como um touro. – Como é que é, rapaz? Repita se for homem.

– Repito sim…

A turma do deixa disso interveio antes que o cara repetisse.

Seguro pelos amigos Dimas ficou gritando: – Repete, repete, seu *!?#, que eu te mato!

O outro, também contido por dois ou três, gritava de lá: – Bicha! Você é uma bicha enrustida! Vem me matar, desgraçado!

E Luana chorava. Um misto de vergonha e medo. Depois de anos de namoro e noivado, casada há seis meses com Dimas, não o conhecia. Triste conclusão que pouco a pouco ia se construindo em sua mente. Seu coração teimava em mantê-la firme no propósito de continuar com ele, tentar moldá-lo aos poucos, mas cada dia ficava mais evidente que aquele Dimas não era o homem a quem ela amava. E se não era, portanto, o homem a quem ela amava não existia. O que existia era este.

O tempo não era o presente.

Dimas e Luana não estão mais casados. Mas viveram juntos até que a morte os separou. Não foram fiéis um ao outro, todos sabem. O que cada um fez, não cabe a mim dizer. Nem julgar. O fato é que um foi encontrado morto numa lixeira pública em São Paulo, o corpo esquartejado dentro de duas malas, e a outra, presa como principal suspeita foi assassinada dentro da cadeia pública feminina do Bom Pastor por sua amante enciumada.

 

/José Leão

Desafio “Sexo” – 3013

pirulitoNum futuro não tão próximo, mas também não muito distante, não existirá mais sexo. A ciência, sempre eficiente e milagrosa, conseguirá tirar este empecilho de nossas vidas, esta atividade tão selvagem e irracional. Os bebês serão todos criados em laboratórios… eu falei bebês? Desculpe meu equivoco. Os adultos serão todos criados em laboratórios, e já sairão de lá com 24 anos de idade, prontos para o mercado de trabalho, ganhando não apenas uma certidão de nascimento, como também um diploma universitário e um frasco de antidepressivos. Os cientistas acharam melhor cortar a infância e a adolescência, pois são fases da vida muito complicadas e problemáticas, que, no fim das contas, só servem para aborrecer os pais. Não preciso dizer que essa escolha acarretou a falência do mercado de fraldas e pornografia, é claro. E já que falamos nos pais, é interessante frisar que eles nunca tiveram um papel tão importante na formação dos filhos como agora. Não estou falando apenas da formação moral não; refiro-me também à formação orgânica. Sim, “formação orgânica”, pois agora os pais podem escolher tudo na composição dos filhos, desde cor do cabelo, formato dos olhos, profissão e até gosto musical e tamanho da bunda, que não são muito grandes, por sinal. E já que falamos em música e bunda, quero informar que o funk e as mulheres frutas já não existem mais. Eles foram exterminados em 2078, numa revolução que ocorreu logo após a Mulher Abacate III tornar-se presidente do Brasil e transformar uma música do MC Hímen ― filho do Mr. Catra com a Valesca Popozuda ― no hino do Brasil. Os revoltosos tiraram os funkeiros do poder, e agora o hino do Brasil é um sertanejo universitário.

O que importa é que agora o mundo é um lugar lindo para se viver, com 14 bilhões de pessoas loiras, com dois metros de altura e olhos azuis. Claro que sempre tem aqueles pais rebeldes que colocam olhos verdes nos filhos ― uma breguice sem tamanho ―, mas esses são poucos. Contudo é importante deixar claro que, mesmo numa sociedade tão evoluída como esta, ainda existem resquícios da selvageria humana. A maior prova disto é o fato de que muitos homens e mulheres ainda se interessam pelo prazer sexual. Procurando se aproveitar deste desejo insaciável da humanidade, os cientistas ― sempre eles ― da Assky Corporation desenvolveram um pirulito com o poder de satisfazer o apetite sexual das pessoas. Utiliza-lo é muito simples: você abre a embalagem, coloca o pirulito na boca, chupa e goza (não o pirulito, você). E ele ainda tem a vasta gama de dois sabores, “Uva” e “Não é Uva”. É claro que a Assky faturou rios de dinheiro com essa invenção, e o presidente da empresa foi, inclusive, indicado ao Nobel da paz. A humanidade viveu séculos de harmonia e prazer a baixo custo. Viveu, até que…

Num belo dia ensolarado, um grupo de arqueólogos fazia uma escavação próxima à cidade de Junu Z24-i, antigamente conhecida como Caruaru, em busca da lendária cidade de Brasília. Eles não encontraram Brasília por um pequeno erro de calculo, é claro, mas acharam algo muito mais impressionante: um exemplar em perfeito estado ― com apenas algumas páginas coladas ― de 50 Tons de Cinza. Os arqueólogos ficaram extremamente surpresos e empolgados com a descoberta, mas a imprensa não demonstrou mais interesse pelo fato do que demonstraria por um pombo que cagou na cabeça de um técnico em informática. Cabisbaixos, os estudiosos juntaram suas tralhas e voltaram a procurar pela lendária “Cidade dos Canalhas”, mas  pouco depois de partirem de Junu Z24-i, eles foram procurados por executivos da Assky que estavam interessados em sua nova descoberta. A multinacional adquiriu os direitos de reprodução e venda do livro, e, em troca, os arqueólogos ganharam um suprimento de pirulitos para a vida toda. É incerto o que aconteceu com eles depois disso. Algumas pessoas afirmam que  nas noites de quarta-feira, veem um dos pesquisadores correndo nu pelos arredores de Junu Z24-i, com cinco ou seis pirulitos enfiados na boca. É claro que isso não passa de uma lenda (ou não).

Inicialmente, o interesse da população pelo livro foi pequeno, talvez por causa da linguagem rebuscada e dos “termos técnicos” desconhecidos presentes na obra, mas na medida em que as pessoas davam uma chance ao livro e ao conhecimento sexual arcaico que ele trazia, seu sucesso foi crescendo  e, em pouco tempo, tornou-se uma febre. Todos ficaram surpresos ao descobrir que um pênis se encaixa numa vagina  e, inclusive, muitas teorias conspiratórias foram fundamentadas neste fato. Mesas redondas com diversos estudiosos e intelectuais foram montadas para discutir a função do clitóris, e uma estudante de economia da China escreveu um TCC sobre a importância do gemido na geopolítica internacional que ganhou destaque na imprensa de todo o globo. 50 Tons de Cinza estava mudando a história do planeta.

Não muito longe do local onde encontraram o livro, na cidade de Hellcife, vivia um técnico em informática chamado José Austin II. Ele e sua esposa, Veridiana, se curtiam muito, e sempre tiveram uma vida sexual muito intensa, prova disto é que eles já haviam provado todos os dois sabores do pirulito da Assky. Buscando algo para apimentar a relação, José comprou um exemplar de 50 Tons de Cinza para fazer uma surpresa para a esposa. Quando ela chegou do trabalho, José mostrou-lhe o livro  e, entre um olhar 43 e outro, leu alguns trechos da obra. Eles decidiram experimentar alguma das posições descritas no livro, escolhendo, por fim, uma que vinha com “PARA INICIANTES” escrito em alegres letras verdes ao lado e com uma carinha feliz. Não havia erro. Só que não.

― Essa perna que falam é minha perna ou sua perna? ― perguntou Veridiana, confusa.

― Sua perna. Não! Por aí não. É pelo outro lado. ― José fazia um esforço enorme para ajudar a por a perna da esposa na posição certa, mais parecia que não estava dando muito certo.

― Ai, José! O dedo é no buraco maior. No MAIOR!

É claro que a tentativa dos dois em praticar sexo arcaico fracassou completamente. Antes do fim da noite, ambos já estavam dentro de ambulâncias que voavam a todo o vapor em direção ao pronto-socorro. José ficou cego de um olho e perdeu três dentes, e Veridiana, coitada, ficou paraplégica. Após o ocorrido, os dois se divorciaram, e no meio de tanta confusão, acabaram esquecendo-se de ir buscar José Austin III no laboratório-maternidade, que “nasceu” duas semanas após o acidente. Ele passou a vagar pelas ruas e virou publicitário.

Este incidente não ocorreu isoladamente. Muitos outros casais enfrentaram problemas semelhantes, e foram registrados até casos que resultaram em morte. Algumas mulheres engravidaram. Acontece que as pessoas de 3013 não sabiam o que era engravidar, e as gestantes começaram a ser tratadas como aberrações. No entendimento geral, pequenos aliens estavam crescendo dentro delas ― o que não difere tanto assim da realidade. A população passou a persegui-las empunhando facões, pás e iPhones (na ausência de tochas). Líderes de diversas nações e instituições internacionais pressionaram a Assky para que ela tirasse os livros de circulação, e após o próprio presidente da empresa quebrar a bacia tentando fazer uma das posições “PARA QUEM JÁ É CRAQUE”, a multinacional concordou em recolher os livros. 50 Tons de Cinza ficou registrado para sempre na história como “o maior desastre do século XXXI”. Alguns entusiastas por teorias conspiratórias afirmam que o governo Norte Americanadense adquiriu, num acordo secreto com a Assky, boa parte dos livros recolhidos, e passou a utiliza-los em seções de tortura. É claro que isso não passa de uma lenda (ou não).

 

/Pedro Lourenço

Desafio “Sexo” – Dupla Penetração

Imagens d'amor (23)Seus dedos começaram desenhando suavemente pequenos abstratos em minha pele e, mesmo tão levemente, foi possível sentir o quanto me desejavas. Nem de longe eu poderia imaginar que se tratava do prelúdio de momentos tão intensos…

A música envolve o ambiente: Iris – Goo Goo Dolls, a escolha perfeita! Como mágica, seu cheiro se espalhou ao meu redor. Cheiro de homem. Um cheiro de macho tão forte e tão intenso que quase pude sentir teu gosto.

Ah, teu gosto! Quero sentir o gosto dessa sua boca gostosa que sempre procura impetuosamente explorar todos os meus lábios, hora carinhosamente saboreando cada milímetro, hora vorazmente como quem deseja fundir-nos em uno, fazendo eu me entregar e me retorcer em gemidos de puro êxtase, forjados no calor da nossa luxúria.

Seus dedos passeiam por toda minha geografia, por entre vales e montanhas brancas como neve, mas nunca frias, exceto quando usamos gelo…XD

Seus lábios, que adoro morder, trabalham em total sintonia com sua língua e dentes, me fazendo sentir prazer até na dor quando serpenteia sua língua, depois de mordiscar e sugar com tamanha fome que só de imaginar sinto-os enrijecerem, mesmo depois de tanto tempo.

Teu corpo todo me envolve, acaricia e procura todas as formas de fazer do meu corpo, tua viagem, encontrando minha gruta sempre úmida e convidativa às tuas explorações. E você sabe muito bem como explorar minhas facetas cada vez mais e, ao mesmo tempo, fazer com que a cada novo começo eu me sinta intocada e ansiosa por senti-lo inteiro, me invadindo sem esperar permissão… Apaixonada e profundamente.

Eu sabia que seria mágico. Que não faltaria tesão nem criatividade e que nos surpreenderíamos com as possibilidades…  Mas não imaginava que seria tão intenso. Que no calor do tesão pudéssemos ir tão longe…

Foi quando ele entrou.

Me permiti deixar levar pelo momento. Percebi aqueles olhos a me olhar e, tal qual um felino estudando cada movimento, pude ver as pupilas se dilatando para observar cada reação minha, por mínima que fosse.

Continuei a me entregar como quem deseja se perder por completo:  sem medos, sem pudores, sem juízo.

Aqueles olhos me devoravam enquanto eu me sentia totalmente entregue, mas eu não via só desejo carnal estampado naquele rosto. Pude ver uma vontade de me possuir, de me ter por completo preenchendo além de meu corpo, minha mente. Ou seria minha alma?

Isso não importa mais.

Senti o calor daquele corpo se aproximando e sabia que ele podia sentir, pelos meus gemidos, o tamanho da minha ansiedade e o quanto eu queria que se apressasse. E assim o fez.

Por um instante fiquei imóvel, sentindo tudo o que se passava ao meu redor. As sensações vinham incontrolavelmente e faziam meu corpo tremer, minha respiração ficar ofegante e meus instintos falarem mais alto. Morder seu ombro seria simples reflexo, mas confesso que me deliciei com as expressões que vi em seguida na tua cara: surpresa, dor, tesão, satisfação…

Sabemos do que gostamos e adoramos testar nossos limites. Sei que os gemidos que arranco cravando as unhas na tua pele e descendo pela lateral do teu corpo enquanto te lambo, chupo e sugo com vontade, te fazem querer mais… Sei que adora quando prendo firmemente teus lábios entre meus dentes e percorro suavemente com minha língua por eles… Sei que gostas tanto das lambidas longas e molhadas que aliviam as mordidas que as precedem, quanto dos beijinhos leves em lugares estratégicos.

Outra música, uma com uma certa cadência e tal ritmo que faz meu cérebro entrar em transe, meu coração bater mais forte e ao mesmo tempo sinto-o parando.  A intensidade aumenta o tesão que transborda eletrizando cada átomo dos nossos corpos. Corpos que querem mais, muito mais…

E neste instante sinto você penetrando intensamente todo meu ser. Sinto, como só uma fêmea sedenta por sexo sente quando deseja tão intensamente um homem, teu suor penetrando cada poro do meu corpo. Sinto suas mãos a me esculpir como quem recria, ao sabor dos sonhos e fantasias, sua obra prima. Sinto sua energia me preenchendo e esquentando por dentro, escorrendo e reidratando cada parte deste corpo sedento pelos teus fluídos.

Dust in the wind, ecoa, penetra pelos meus poros me levando para longe, perto de você. E é assim que me envolves, me desarma, entorpece, me recria e me faz tua. Porque é com sua imaginação que me levas à loucura. É sua mão, seu corpo, é você que sinto quando a minha mente entra em êxtase. São seus dedos, suaves e ligeiros, que transmitem aos meus olhos e ao meu cérebro a intensidade do teu desejo. São teus olhos que me veem trêmula, ofegante, saciada e é neles que busco meu refúgio e minha perdição. Assim que consegues me fazer sentir mais prazer que meu corpo pode suportar e é assim que você me PENETRA DUPLAMENTE, corpo e mente. E eu só queria que, ao menos por um instante, isso fosse tão real quanto minha conta de internet.

Prof. S/A

Desafio “Sexo” – Sensações

sexo    Um jogo perigoso e prazeroso. Começa com um gesto, um olhar mais penetrante, de repente um toque. E quando você nota, os corpos já se procuram um ao outro arduamente, como uma dança, uma valsa, vão se unindo aos poucos.

Com os olhos fechados, te vejo, te sinto como se fosse eu, como se fôssemos um, somos um. As mãos correm pelo corpo sorrateiramente, teu corpo suado e escorregadio. Os cabelos molhados, presos entre meus dedos, fios suaves e de tom escuro.

Como é linda a sensação peralta de ter você unido a mim. E no ápice, toda a sensibilidade de dois corpos esgotados, após tamanha expressão de afeição. Já não era apenas um jogo.

 

/Tamires Oliveira