Desafio dos Seres – Declínio

lumiarts

 

Simpatizo com a ideia simbólica de Ícaro em sua queda, não considerando o abuso de sua ousadia, não respeitando os limites e caindo no excesso!

Não estaríamos nós, fatalmente um dia, a reviver essa síndrome?

…é na depravação do senso do infinito, que rege segundo eu, a razão de todos os excessos culpados…

Até onde posso ir com meu corpo, com meus sonhos…

Que distancia seria suficiente para contentar-me?

Que ideal devo seguir se não este que esta vivo dentro de mim.

Por mais insensato que possa vos parecer, pois não tivestes a chance de ver o que vi…

Por mais improvável que seja meu sucesso, uma voz me guia e me diz forte, vá…

Sim eu sei, não podes me entender e nem acreditar o quanto estou convicto,

Que não posso me abandonar e me ser infiel…

Devo seguir, apesar de tudo e de todos, que se pudessem me matariam, pois vontade não os falta…

…houve um tempo em que o cordão umbilical do homem tinha a função de ligá-lo a matriz da vida, mas que mesmo assim ainda não seria o suficiente para entretê-lo e integrá-lo… Foram alguns de vontade própria que seguiram viagem, cúmplices de si mesmo, á procurar então campos novos, odores e paisagens, e tentar desfrutar da liberdade de ser do mundo, e chegar mais perto de algumas novas questões…

Por um momento, por uma fração de segundos, podemos fazer a escolha errada e mudar nosso destino, ou ficarmos marcados em nossas vidas.

Quando o príncipe tiver virado sapo,

Que nunca te viu e nem nunca verá,

Que do conto de fadas nada restará,

Pois da mente nasceu, quando o coração morreu,

E a mente com sua ganância suprema,

Terceirizou oportunidades,

Sufoca o coração e o confina em algum lugar,

Suposto ter sido o melhor a ser feito,

O tempo leva em desperdício,

Todo gozo possível, dessa estrada sem volta,

… Ao despertar, pelas janelas, a visão é melancólica e cruel,

As folhas secas cobrem o solo,

O silencio grita forte nos ouvidos,

E a paixão nunca mais bate em nossa porta,

Morremos então ainda vivos,

Arrependidos dos risos de outrora,

Que falavam de tudo,

Menos de Amor…

A falta de antecipação, de visão futurista felicidade de agora, sem considerar suas consequências.

É justamente disso que quero falar, do Declínio e de suas consequências.

Não há caráter crítico da pessoa física, e é claro que qualquer, faz com que pensemos na

semelhança com vossos fatos próprios, será mera COINCIDENCIA!

 …Nós somos todos, vasos quebrados, pedaços reunidos, uns sobre os outros,

Nosso coração e nosso corpo foram profanados em sacrifício de nosso orgulho e nossa arrogância,

Nós traímos a nós mesmos,

Nós nos esquecemos de nós mesmos, por um voo desesperado,

E, em sua queda vertiginosa, e das feridas que a acompanham,

O amor tomará o lugar da amargura,

Ele tomará nosso corpo, nosso coração,

E nós poderemos viver em paz, talvez,

Aceitar nossa derrota e nos perdoar…

 

Tantos são os fatores do Declínio, fatores esses assim “momentâneos”, e educacionais, tudo misturado em um belo coquetel, despudorados por momentos, mas não transformando a pessoa num todo como ruim, apenas nesse momento faltou “presença”.

Depois disso tudo vem o tal do “arrependimento”, e o pior deles, “a culpa”.

O arrependimento e a culpa andam juntos, podendo nos transformar em um trapo, crucificando-nos na falta de perdão de nós mesmos.

Essa nossa existência anda sempre em um fio tão frágil, dando a conclusão seguinte:

O homem esta em declínio constante, ele deve lutar se ele quiser, para se manter estável, e lutar mais ainda para subir…

O Amor é pura inspiração para ele… Ele não é digno desse sentimento que pode por vezes pode ter picos de sucesso, mas tudo isso é tão instável visto sua constituição natural, que manter-se nesse Nirvana é meramente impossível. Logo a natureza lhe possui e ele cai de novo.

 Essa “inspiração” chamada AMOR, nos salva por sua idéia, pela semente abstrata que esta dentro de nós, como uma canção que nos fica martelando na cabeça, sabe-se lá porque, fica cantando e cantando…

O amor é assim, ele chega nos salvando, nos inspirando, nos dando esperança, mas não pode ficar muito tempo em nós, pois somos uma “casa sem teto”, não podemos guarda-lo, muito menos mantê-lo.

Podemos ter atos de amor, isolados e magníficos por sua excelência, mas não há como ser constante.

Toda pessoa visivelmente ruim, será boa em algum momento de sua vida, dará amor e atenção a alguém, atuando o amor em sua constante inconstância…

Toda pessoa visivelmente boa, será um dia para uma determinada pessoa, uma pessoa ruim, atuando assim também a “teoria da inconstância”.

Eis o ponto comum com suas doses pessoais!   A teoria da inconstância, a e inspiração do Amor.

Juntamos tudo isso com a inércia existencial, com a teoria da queda constante, e entendemos os altos e baixos, as surpreendentes guinadas que gente como a gente poderá dar ou para cima ou para baixo.

Não há segredos, é fácil de entender quando aceitamos nossa natureza.

Não é uma questão de sinceridade ou de ausência da mesma.

O “ser” se perde em si, sem querer, sem realmente querer…

Desfruta de armas infalíveis para garantir seu próprio orgulho, mas na verdade ele não sabe nada, nem nunca saberá…

 

Ícaro somos todos nós um dia!

Essa ousadia demasiada, vinda em um momento não oportuno, transgredindo o equilíbrio, e mudando até o rumo das coisas, fugindo da origem natural, resultando assim na mais pura discrepância da realidade, deixando-nos perplexos e indignados, sem compreender de fato na resultante de tudo.

Mas, a arrogância também não seria o pecado de Ícaro?

No abraço eterno em que os anjos nos rodeavam,

Batendo suas asas,

Suspirando seus anseios, em nossos corações,

Que escutavam,

Meio ao deserto,

Que nos deixavam sedentos,

Naquele caminho pródigo,

 A circunstancia cria o álibi,

A comunhão de nossos tropeços,

Fariam de nós os amantes ideais,

 Os anjos continuavam a nos rodear,

Apesar de saberem e verem…

 Davam-nos o suspiro amoroso,

Diante desses corações pueris,

Então,

Tínhamos a vaga visão,

Apesar de tudo,

Do sorriso matinal,

Da alegria enfim,

Do que podia ser,

NOSSA REDENÇÃO…

Eu não vim para falar de anjos, mas eles aparecerão vez ou outra.

Eu não sou amor e ódio, mas parecerá vez ou outra…

Somos visitados, vamos para cima e para baixo, estamos alegres ou tristes, conscientes ou inconscientes, adultos ou crianças, enfim, somos tanta coisa e no final não somos lá, grande coisa.

A inconstância de que falo não esta somente ligada as “visitas” que temos nos influenciando em nossos atos. Nunca quis dizer isso, tanto o é que vou mostrar outra visão, mas que poderá ser mencionada uma nomenclatura fantasiosa!

Levantam de suas sepulturas, confeccionadas com tanto suor e lágrimas,

Pedaços de nós, despedaçados,

Que reencarnam com outra face, mas com a mesma alma,

És tu imortal,

Você me faz ajoelhar com os olhos úmidos,

E me entristecer quando você quer viver…

(lembranças).

Tudo que possui o homem boia num rio silencioso

É tudo o que ele é,

Tudo o que ele vive,

Suas paixões inacabadas, seus adeus eternos,

Pois, minhas lembranças,

Pedaços de mim, e ópio de minha existência,

Farão de você eterna…

Ícaro somos todos nós um dia, e os frutos deste voo arriscado, cada um sabe,

ou caímos, ou planamos, ou despedaçamos, até o próximo voo, talvez…

 

Lumiartes Jean

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