Desafio Relâmpago (Fantasia) – Um convite à Nibiru (#2)

parisrem

(…)

Neftis se via parada no acostamento de uma ampla avenida, onde o piso era como mármore negro polido. Havia um frenético fluxo de veículos de transporte, dos quais poucos tocavam o chão lustroso e a maioria simplesmente planava. A moça olhava para os lados de maneira impressionada, notando que, tanto a estrada como a cidade, pareciam não ter fim. Em alguns pontos, havia hologramas, alguns, aparentemente, comerciais, mas outros sinalizavam coisas numa escrita desconhecida. No céu sobre a cidade iluminada, gigantescos navios dourados flutuavam com absoluta elegância. Torres pareciam tocar o firmamento de tão altas, grandes antenas e edificações piramidais com símbolos enigmáticos gravados em suas fachadas. Havia muita iluminação, por todas as partes se via fileiras de postes, lâmpadas por todos os lados, era tudo incrivelmente maravilhoso, a cidade parecia ter emergido de um fantástico livro de ficção, onde a humanidade tivesse atingido um grau de intelectualidade um uma proporção infinita! Neftis se perguntava onde estava. Que cidade seria aquela que cintilava diante de si? Tudo parecia projeção de um sonho do qual ela não gostaria de acordar nunca mais.

Ela deu seu primeiro passo em direção à cidade iluminada. Seus pés tocaram o chão liso e frio da grande avenida. Os veículos em alta velocidade frearam subitamente de forma cadenciada e organizada. De repente, uma faixa de neon azul desenhou-se em direção ao outro lado e Neftis fora carregada por ela como se estivesse sobre uma esteira de luz.

Havia uma figura misteriosa do outro lado que parecia aguardar a jovem. Enquanto era conduzida pela esteira “mágica”, Neftis forçou a visão a fim de identificar o indivíduo. Parecia ser um homem. No entanto, a moça supunha fortemente que não se tratava de um humano, pois tinha certeza que estava em outro planeta. A esteira parou diante do ser. Ele era alto, quase três metros. A criatura era bela. Sua cabeleira lisa era tomada por um preto do qual reluzia um esplendoroso azulado. Os olhos eram grandes e de cores escarlates, a pele era como cobre. Rosto fino, igualmente nariz e boca. Estranhos discos dourados adornavam as orelhas do ser celestial. Ele trajava uma túnica branca, mas o que de fato atraíra mais a atenção de Neftis, fora o grosso cinto de um metal lustroso e reluzente que se prendia ao corpo do enigmático ser. De alguma forma, Neftis sabia que aquilo se tratava de uma poderosa arma. E de fato era, pois ali havia uma poderosa armadura comprimida que vestiria a criatura em poucos segundos, caso ordenasse.

A criatura estendeu a mão para Neftis que retribuiu o gesto. O alto ser a levou para perto de seu corpo. Logo, a esteira luminosa desaparecera liberando o transito que voltara a fluir. Um círculo de neon desenhou-se sob os dois indivíduos e um tubo de cristal desceu sobre eles os encapsulando. Neftis sentira um frio no estômago.

– Não tema. – Uma voz masculina ecoou na mente de Neftis a fazendo questionar de onde o som viera.

A criatura olhava para a humana como se seus grandes olhos estivessem mergulhados profundamente em seu íntimo. Ele havia reconfortado a moça por meio de telepatia. Neftis tentou não pensar em nada com receio de que o estranho a estivesse investigando mentalmente. Ele continuou a encarar profundamente a jovem.

– Você nasceu em meio à destruição e ao caos, mas não será nele que perecerá. – Mentalizou ele novamente, confirmando a ideia de que Neftis estaria sendo investigada. – Você foi escolhida para receber os elementos divinos. O Imperador-deus a concede a vida eterna e o poder celestial do Metalium em troca de sua devoção.

Neftis não compreendia o que significava aquilo tudo. Enquanto isso, o tubo de cristal os suspendia nas alturas sobre a colossal cidade.

– Eu não entendo! – exclamou Neftis quase desesperada. – Quem é você? Que lugar é esse? Escolhida? Vida eterna? Poderes celestiais? Eu não entendo!!!

Os olhos negros se abriram. Pupilas contraídas e grande quantidade de suor sobre a pele judiada. Neftis respirava rápido, e assustada por conta do incrivelmente real sonho. Ainda deitada sentira as mãos e pernas trêmulas. O que foi aquilo? Questionou em pensamento. Virou-se para o teto e lambeu os lábios ulcerados. Milagrosamente chovia naquele início de manhã. A água penetrara as fissuras no teto. Neftis abriu a boca e esperou a gota precipitar-se. Refletia profundamente sobre o sonho e sobre a vida que levava naquele mundo de caos. Ainda com a boca aberta, fechou os olhos querendo visualizar novamente a cidade cintilante.

O pingo d’água se precipitou em sua boca espalhando-se pela língua porosa. A cidade estava diante de sua imaginação. As luas, as estrelas, o clima agradável, o belo sujeito que conversava com ela em pensamento…

Dedos tocaram seus lábios. Neftis manteve seus olhos fechados. Lambeu novamente os lábios, sentiu-os macios dessa vez, sem feridas e úmidos. Sentiu os dedos adentrarem sua boca. Uma estranha e agradável sensação tomava conta de seu corpo e sua mente. Havia alguém ali, no entanto, Neftis pouco importava-se se era ou não um perigo.

– Abra os olhos. – disse a voz suave. Neftis os abriu.

– Estou sonhando? – a moça perguntou.

Era o mesmo ser que a jovem havia encontrado em seu sonho. Porém, agora trajava uma brilhante armadura dourada proveniente do estranho cinturão preso ao seu corpo. Havia muito calor e um doce aroma de rosáceas, como em noites de primavera. Neftis sentia algo adentrar seu corpo, algo prazeroso que a fazia gemer e suspirar, uma sensação inédita a ela.

– Venha para Nibiru. – disse a criatura de armadura.

– O que é Nibiru? – Neftis perguntou em transe.

– A morada dos deuses. – o estranho respondeu pegando a jovem nos braços.

– Deuses? Eles não existem. – ela desdenhou com sua voz embriagada.

– Não somos como imagina. Somos imperfeitos, quase como vocês, humanos. Todavia, num passado além de qualquer distância, fomos agraciados com ferramentas das quais nos tornam quase perfeitos. Com tais ferramentas, somos imunes à pestilências, somos capazes de destruir o solo com um simples golpe, podemos gerar energia nas palmas de nossas mãos e com ela, romper qualquer matéria, nós, deuses, com nossos elementos divinos, vivemos por toda a eternidade, testemunhamos cada passo do universo em direção à evolução, somos donos de cada ciência que puder imaginar, somos donos de sua existência, humanos! Eu a ofereço a vida eterna em Nibiru, ou a morte nesse grande vale de terror que se tornou a Terra.

Neftis abrira os olhos. Deu-se conta de que tudo aquilo era mesmo real. Olhava fundo nos grandes olhos escarlates do ser celestial, sua mão o tocava o rosto. Era quente como a rocha exposta ao sol do meio-dia.

– Eu quero o poder dos deuses. – ela disse, finalmente.

– Durma, então. – e foi o que houve. Neftis simplesmente desmaiou ao comando de voz do ser. – Acordará em Nibiru, berço dos deuses, lar dos Anunnaki. E, eu, Shamash, estarei contigo e serei seu guia.

Um plasma azulado abduziu Shamash, a criatura celestial junto de Neftis, adormecida em seus braços. Ambos foram levados ao interior da grande nave chamejante que flutuava sobre o abrigo em ruínas e transportados ao infinito, diretamente para Nibiru, morada dos deuses.

Fim.

 

Eric Ribeiro

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