Um dia demente na mente de Téo

O desafio era montar um texto onde cada participante do grupo do Facebook poderia escrever apenas uma frase. Eis o resultado 😉

Era uma vez um garoto chamado Téo.
Ele nunca, repito, nunca saiu de casa.
Preso não só em sua casa, mas também em uma realidade construída por livros.
Porém, um dia ele viu a janela aberta, por onde entravam bichos, minúsculos, seres das profundezas da Terra.
Os bichos eram criaturas bizarras com nenhum poder excepcional.
O que tornava eles bem desinteressantes.
Mas esse não foi o principal ao abrir a janela…
Foi que com a luz do sol, ele viu os chifres na cabeça de gigantescos besouros, ou escamas no lugar de pelos, tornavam-se interessantemente assustadores.
Enquanto insetos e bichos entravam pela janela ouviu-se barulho de vidros quebrados e gritos de uma mulher vindos da casa vizinha.
Gritos abafados e horripilantes que ecoavam na cabeça de Téo, chegando cada vez mais perto.
Desesperado, mas curioso, se arriscou e pulou a janela, queria ver o que acontecia.
Logo se deparava com uma espécie de invasão alienígena de insetos intrigantes….
Assim como a invasão tomou conta de tudo, o medo também tomou conta de seu corpo.
Não sabia como agir diante daqueles seres, por isso correu para o seu quarto, porém, agora a janela por onde ele tinha pulado estava fechada.
Ele conseguiu entrar de outro modo.
Passaram dias, mas a curiosidade o perturbava…
Até que em uma manhã, indo até a calçada de sua casa, olhando além da rua, encontrou uma ampulheta e, ao virá-la, sem querer iniciou uma contagem regressiva para que toda aquela situação acabasse, no entanto, de modo persistente, somente…
Somente se ele fizesse os sacrifícios necessários.
O primeiro seria sua vizinha, o que lhe dava um certo alívio em saber que os gritos acabariam.
Por isso seguiu aquela casa, contornando o jardim, decidido.
Pois aquela ampulheta, aquela ampulheta maldita, mudara o tempo, transformara o seu sentimento em ira.
E a ira, que consome pouco a pouco todos os outros sentimentos, e antes o que era amor, se torna ódio .
Mas Téo queria mudanças, e canalizou toda essa ira e o ódio dela oriundo para conseguir atingir seu objetivo principal:
Que era voltar para a segurança do seu quarto.
Mas a voltar-se não havia parede, e tão pouco uma janela que o levasse de volta para casa.
Ele viu então algo que nunca havia reparado: a portinha do cachorro na base da porta de sua casa…
Mas então ele lembrou que ele não tinha cachorro.
E que na verdade aquela não era a sua casa.
Porém, deixou para analisar essas informações depois e apressou-se em se abaixar, tentando adentrar a casa pela estreita porta.
Lá se deparou com algo surpreendente, que lhe apavorou, mas também lhe motivou para prosseguir
Morfeu apareceu na hora e disse que ele estava sonhando
Então o jovem teve uma crise existencial , e pensou “se até mesmo isso é um sonho, toda minha realidade pode ser um sonho, ou seja eu sou um louco ”
“ou eu posso estar vivendo em uma matrix real igual ao filme, mas isso não é possível”
Onde estou?
Pânico, terror e aflição, tomaram conta de Théo
Téo estava muito confuso, mas tentou se acalmar e analisar o mundo à sua volta, constatando que tudo estava normal e nada era parecido com o estranhíssimo sonho que tivera.
Téu deixa escapar o ar preso em seus pulmões e se joga, aliviado, numa poltrona próxima.
E só então se lembrou que tinha assistido Matrix antes de dormir.
Morfeu lhe abraça, em um sono profundo.

Sentimentos na escrita

Olá meus queridos escritores.

Creio que se vocês estão aqui, é porque amam escrever, e consequentemente, gostam muito de ler.

Todas vez que lemos um bom livro, conseguimos captar cada sentimento dos personagens em uma intensidade muito grande. Na hora que estamos lendo, isso é bem fácil, mas como fazer para escrever expressando esses sentimentos de forma que o leitor consiga captar?

Vim dar uma dica hoje para vocês que utilizo sempre, e que me ajuda muito. Já tentaram escrever quando estão sob influencia de algum sentimento? Exemplo, quando estão muito tristes ou muito nervosos?

Acredito que o melhor jeito para falar sobre um sentimento, é quando estamos sob influência do mesmo.

Sabe aquele dia em que seu chefe grita com você, você perde o ônibus, pega chuva e dá tudo errado, chega em casa e só quer que o mundo acabe? Esse é um excelente momento para reescrever aquela parte da história em que um personagem está com muita raiva. Expresse toda sua raiva nas atitudes do personagem, ou mesmo da descrição desse momento para o personagem. Além de ajudar na expressão de sentimentos no texto, pode aliviar a pressão sobre você.

E isso vale para todos os sentimentos: para quando se esta feliz, triste, entediado, etc.

Esses são momentos em que muitos não escrevem, não querem escrever, e acabam perdendo uma ótima oportunidade de tornar seus textos mais reais, mais intensos.

Creio que muitos já façam isso quando estão com o coração partido, mas podem abranger para todas as outras emoções que temos ao longo da vida.

Desafio Sentimento das Cores

O sentimento das cores.

Com o azul igual o das ondas, que vem direto do seu olhar é que logo passo a desejar, um barco branco para navegar, nesse seu mar.

Com o vermelho que é soberano, eu não me espanto se ele quiser entrar para mostrar, o que é amar.

verde, vem bem contente, na esperança, do que vai ver.

Do amarelo, só se espera o belo, que é o ouro, o sol e o poder.

O preto que é forte, é considerado como a morte, porém o cinza é que és parecido, com as cinzas de um não viver.

Mas de que adianta falar para o rosa, não dar prosa, aos sentimentos de quem não lhe quer ver?

A vida, pode ser colorida ou ser como o cinza, sem nada mais a fazer!

/ZÍNGARA MAGA

Desafio Sentimento das Cores – O francês e a Marela

Ele era vermelho, duro, quente. Ela, Marela, úmida, alegre. Ele, sisudo. Ela, jovial. Encontraram-se na porta do Museu. Caminharam lado-a-lado sem trocar palavra até estarem diante da tela – O Jardim Japonês. Imóveis. Finalmente ela suspirou baixinho. Ele surpreendeu-se por ela não ser francesa. Parecia francesa admirando um francês de Le Halles. Ela espantou-se por ouvir aquele homem vermelho falar francês.

Violet, la nuance de vert, est le mon repos.

– Buono! Violet, la base de la verd, où tout commence.

Vert, infinies tons et des possibilités infinies si ya la lumière, c’est ce que je ressens à propos de la vie.

– Tutte le tonalità dei verdi in Monet sono la preparazione per vostri Rossi.

– Oui, rouge qui est la vie de ses jardins.

Rossi dei lunga vita del suo lavoro insieme com quello giallo.

Jaune est certainement ce qu’est la vie

– Il giallo è la luce dell’impressionismo

Dito isto, olharam-se. Marela sorriu. O vermelho francês estendeu-lhe a mão para que ela se levantasse. Desceram as escadas, pegaram seus casacos. O dela era amarelo. O dele, cor de telha queimada. Os guarda-chuvas eram pretos, misturaram-se. Assim como misturaram-se também os braços e, em pouco tempo no banco frio do parque, as bocas. Não demorou e os corpos embaixo de grossos cobertores coloridos e no calor do aquecimento a gás tornaram-se uma só cor. Orange, arancione, alaranjada.

/José Leão

Desafio “Sexo” – Programa

garotadeprograma

Já passava das três… da manhã. O cigarro babado, manchado de batom, o gosto de cachaça barata, na boca e nas roupas, a terrível sensação de que seria mais uma noite em claro… Ah! Isso acabava com seu humor.

Lá estava ela, de um lado para o outro, desde as onze… da noite. E ele não chegava. Podia ser aceitável para as outras, mas não para ela. Odiava atrasos. Ela tinha horário a cumprir. Tinhas coisas para fazer. Tinha contas a pagar. Era independente. Autônoma. Mas dependia de seus parceiros para cumprir a meta mensal. Do contrário, seria um inferno completo: fazer mais por menos, sem restrições, apenas para não ficar no prejuízo. Estava cansada disso.

A pior coisa do mundo não é vender o corpo, pensava. Isso é fácil. E rentável, em alguns casos. Pior, pior mesmo, é querer basear o processo na idealização, no desejo dos outros. É loucura. Gosto pelo gosto, há espaço para tudo e todos (doa em quem doer…): se está muito jovem, é prato cheio para os tarados de plantão. Se está madura demais, não importa, desde que encontre homens maduros. Se está muito magra, há os adoradores da bulimia. Se está acima do peso, há os que gostam de excessos. Se está “bombada”, existem os fissurados nos extremos da malhação. Se está em forma, nem mais nem menos, você só fez sua obrigação. Há os clientes de sempre.

Quando começou nessa vida (nada fácil, diga-se de passagem), o conselho que lhe deram foi: “Se quer dar, dê. Por amor ou por dinheiro, mas dê. Cedo ou tarde alguém vai te comer. Você querendo ou não. Você não vai perder sua virgindade para os vermes – sejam os de baixo ou os de cima da terra, certo? Ou para um dedo, um vibrador, uma cenoura, uma banana, um pepino… Ah! Seja, ao menos, sensata. Procure, antes, um amor fictício, apaixone-se. E dê. Dê muito. Curta a doação. Depois, dê pra quem quiser. Se puder ganhar uma grana com isso e ainda se divertir e gozar, massa! Senão, guarde a boa lembrança do primeiro amor. Isso lhe confortará nas noites ruins. Claro que elas existem. Quando você descobrirá a diferença entre fazer sexo, transar e fazer amor. Pensa que é a mesma coisa?”

 A dúvida permaneceu em sua mente até conhecer um péssimo cliente. Suado, seboso, sem noção. Sem dúvidas, aquilo foi uma transa. Onde o objetivo, saciar o desejo, foi apenas dele. Ela, mera coadjuvante, abriu as pernas e fechou os olhos. Não precisou esperar muito. Felizmente, ele gozou rápido. E pagou bem. Ao menos, isso.

Aí se lembrou da sua primeira vez. Aquilo foi fazer amor, cujo objetivo era transar (saciando o desejo de ambos), com sentimentos recíprocos. Apesar da dor inicial, tudo foi maravilhoso com o passar do tempo. Quando se conheceram melhor. Quando seus corpos respondiam aos estímulos sexuais quase que automaticamente. E percebeu que também houve momentos de pura transa, quando eles queriam apagar o fogo entre as pernas, enquanto o amor relaxava num baú dourado, dentro de seus corações. Nesse momento, não havia tanto sentimento, o tesão (dos dois) era só o que importava!

Olhou o relógio. Já eram quase quatro horas… da manhã. Uma figura surgiu pelo outro lado da calçada. Sorria, sem jeito. Hesitou aproximar-se. Ela se encostou numa parede e fez um gesto discreto, chamando-o sensualmente. Ele atravessou a rua e se aproximou tanto que seus hálitos se confundiam.

– Cachaça? – Disse ele.

– Uísque? – Disse ela.

– Desculpa o atraso. Foi difícil arranjar as flores, a música, os incensos e os energéticos. O que vai ser hoje?

– Sexo.

– Sexo? Tem certeza disso? Pensei que…

– Tenho. – Interrompeu-o delicadamente, pondo dois dedos sobre seus lábios. – Chega dessa vida. Hoje eu quero ser mãe.

 

/Guilherme Ramos

Desafio “Sexo – Onde esteve?

getEla estava amarrada. A cabeça doía e sentia tonturas. Estava numa cadeira, em meio a um galpão vazio, na mais pura escuridão. O ar era pesado e o silêncio quase absoluto se não fosse os grilos do lado de fora. Ficou naquela inércia por quase meia hora, e talvez tenha se passado mais tempo, não lembrava se havia dormido nesse meio tempo.

Eis que ouviu um forte barulho e uma luz forte se acendeu. Seus olhos agora doíam com a claridade e a dor de cabeça estava mais acentuada. Ouviu passos que ecoavam no galpão. Quando conseguiu enxergar, ele já estava na sua frente.

Era alto, usava roupas largas e o cabelo grande na altura dos ombros. Sua feição era severa, mas seus olhos tinham um doce brilho travesso. Ele se agachou e ficou com o rosto de frente ao dela. Sua cabeça estava confusa, pensou em perguntar, mas só conseguia gritar de pavor. Ele deu um tapa em seu rosto e a beijou. Levantou-se e seguiu de volta a porta do galpão.

O terror era claro, e a respiração estava ofegante. Gritou por ajuda, perguntou o porquê, mas não obteve nada além de sorrisos sarcásticos como resposta. Ele saiu e quando voltou, trazia duas maletas. Colocou-as no chão lado a lado e abriu a da esquerda. Apesar de não falar, parecia um tanto nervoso. Antes de mostrar o conteúdo da maleta, se levantou, tirou a camisa e enxugou o suor da testa. Abaixou-se novamente em direção a maleta e ao se levantar olhou novamente para ela de forma travessa.

Se aproximou dela com um embrulho nas mãos. Uma faca enrolada num pano branco. Mostrou pra ela e ficou acariciando o seu rosto com a lâmina. O toque frio da faca em suas bochechas, mesmo que sem cortar, a fazia tremer e chorar, pedindo por misericórdia. Então novamente ele deu um tapa em seu rosto e desta vez beijou sua testa. Pegou a lâmina e fez alguns cortes nos ombros brancos dela.

O suor frio se misturava com o sangue e os gritos de dor se misturavam aos de horror. Ele continuou cortando seu corpo, cortes não tão profundos a pontos de causar uma hemorragia mas o suficientes para que o sangue saísse mesmo assim. Ela se contorcia de dor e horror ao ver seus sangue, manchando suas roupas e respigando no chão. Ele pegou outra cadeira e ficou observando, de frente pra ela. A lâmina ainda estava com o sangue da dama e ele fazia questão de passar em sua língua suavemente, saboreando e desejando mais daquele néctar.

Sem nenhum tipo de aviso, voltou a maleta da esquerda e agora tinha um pedaço de tecido em sua mão. Ao chegar perto dela, enxugou o sangue de seus braços com o pano e depois o enrolou em volta do seu pescoço. Ela tentou mais uma vez gritar inutilmente mas, foi impedida por um movimento súbito que apertou o tecido em seu pescoço, a fazendo sufocar. Ele deu um nó e prendeu uma parte na cadeira. Agora seus espasmos eram por conta do seu leve enforcamento e mais uma vez ele sentou na cadeira a sua frente e ficou observando. A devorava com os olhos e não se conteve em seu prazer sado e começou a se tocar. Logo estava sobre ela, mordendo as feridas das facas e forçando mais o pescoço da dama com as mãos.

Quando ela estava quase desmaiando, foi até a maleta da direita e tirou uma pistola. Ela não conseguia mais abrir os olhos e não pode ver a próxima peça de sua execução. Ele tinha um silenciador e foi andando até ela calmamente. Ao parar na sua frente, soltou o tecido e deu um beijo em sua boca, com tamanha volúpia que sua respiração serviu de apoio para a dela. Ainda com os olhos fechados e com o corpo mole, ele apontou em direção ao seu peito e atirou. Foram três disparos com tamanha precisão que só um profissional conseguiria. Soltou as amarras e deixou o corpo repousar no chão. Guardou as coisas em suas respectivas maletas e saiu. Depois de pelo menos meia hora, ele voltou e o corpo dela estava lá. Ele então tirou sua calça e começou a despir o corpo frio, e logo ele estava tomando com uma selvageria desconhecida. A penetrava com força e dava tapas em seu rosto, mordia seu ombro e apertava seu pescoço com as mãos. Quando chegou ao seu ápice, deitou-se exausto ao lado dela e acariciava-lhe os cabelos, como se ela ainda estivesse com vida.

Depois de um tempo, se limpou e se vestiu. Pegou o corpo no colo e o levou para fora onde uma cova estava lhe esperando. A enterrou, e deixou a bela dama em seu descanso eterno.

Pegou seu carro, voltou para casa. Entrou como se nada tivesse acontecido e beijou sua esposa.

– Onde esteve até essa hora querido?

– Resolvendo coisas da empresa meu amor…

 

/juhliana_lopes