Síndrome do Pânico

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Hoje acordei, senti todos os meus ossos e músculos do corpo doendo! Não sei como nem por que! Mas me sinto muito, muito velho! Quando me olho no espelho ele me revela o que eu sei, não sou velho! Mas a sensação é de ter vivido oitenta anos.

Como qualquer coisa que encontro na geladeira. Olho para a rua; ela parece aterradora, mais ou menos como ontem, sei que tenho que abrir a porta e sair ir até o portão abri-lo e dar uma volta. Muito das dores é de falta de me exercitar, de me movimentar ao menos o básico! Mas o mundo lá fora me parece tão cheio de perigos. Sei que a maioria são imaginários mas mesmo assim é uma luta diária conseguir me levantar, lavar meu rosto olhar para a porta, abri-la seguir até o portão e sair de casa.

Claro que os vizinhos já notaram isso, que tenho algum ou alguns problemas, mas quem não os tem? Talvez não tenham pânico para sair de casa ou achem até que isso é uma besteira, coisa de quem faz “corpo mole”, mas eu tenho a medicina ao meu lado, confirmando que o que eu sinto é uma doença e assim como todas elas tem tratamento.

Já tomei alguns medicamentos, consegui sair e caminhar pelo quarteirão. Já consegui pegar uma lotação (ônibus) e até já fui ao cinema sozinho. Uma vitória e tanto para mim que não conseguia abrir a porta e sair até a rua.

Assim como o personagem desta história eu já sofri da síndrome de pânico e a venci! Não importa o que os outros pensem ou falem de você, procure ajuda! Sempre vai encontrar pessoas que são sensíveis e que vão ajuda-lo!

Desejo que 2015 todos que sofrem desta ou de qualquer outra síndrome encontre alívio e que em sua busca pela cura encontre menos pessoas ignorantes e mais pessoas boas! Só você e quem já passou por qualquer problema (síndromes) sabe como é sofrer com isso! Mas tudo passa e você acaba ficando ainda mais forte! Acredite! Vale a pena ser feliz!

 J. C. Zeferino

Desafio Mundo Perfeito – Suspiro

Abriu os olhos, viu a claridade e os fechou. Sua mente voltava a trabalhar e agora não conseguiria dormir mesmo que quisesse. Sentiu uma leve pontada na cabeça, aquela dorzinha matinal de sempre… Agora sabia que estava tudo bem.

Levantou e tratou logo de puxar a cortina, o sol havia acordado de bom humor, mas ele estava apenas com “humor”, nem bom, nem ruim, queria apenas que o dia começasse logo para acabar depressa.

Foi para o banheiro fazer seu ritual diário: necessidades, banho, cigarro. Vestiu sua roupa e foi fazer o seu café. Tudo da mesma forma, mas algo lhe incomodava. Tomou uma xícara sem açúcar – preferia assim – e saiu.

Andou três quarteirões e algo continuava lhe incomodando. Mais um cigarro e até o fim do caminho seriam três. Chegou ao seu trabalho de sempre, com a cara de sempre, mas algo estava diferente. Não recebeu “bom dias” e nem pedidos de moedas para um “café”. Não teve que sorrir forçadamente fingindo simpatia e nem precisou colocar os fones de ouvido para evitar conversas.

“Silêncio” ele pensou. “Silêncio demais”.

Enfim olhou em volta.

Silêncio e vazio. Não havia ninguém na sala, nem na recepção. Ninguém nas escadas e nem nas ruas. Também não haviam carros. Andou calmamente até a janela, apenas o sol brilhava forte.

“Deserto” ele pensou.

Foi para rua. Andou mais três quarteirões e entrou num mercado. Tudo igualmente vazio e desligado, até a porta estava destrancada. “Estranho”. Pegou algumas besteiras mas não havia ninguém no caixa. Com um pouco de força abriu a gaveta do caixa, era honesto e não queria sair sem pagar, mas não havia dinheiro algum.

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“Eu tentei”. Pegou algumas bebidas além do que já tinha pego e foi para casa. Bebeu, fumou, comeu. Conseguiu enfim ler sem ser interrompido e terminar alguns escritos que tinha para si como um diário, que não falava de sua vida mas parecia expressar sentimentos alheios.

“Meu cachorro”. Procurou pela casa e o encontrou dormindo no quintal. Quando viu o dono balançou o rabo e pulou. Ele caiu no chão mas não se importou, de certa forma sentia falta disso.

“Só eu e você garoto.”

Saiu novamente, não sabia o porquê mas achou que seria mais sensato não questionar. Voltou a noite, bebeu mais um pouco e alimentou o cachorro. No quarto, mais um cigarro e agora acompanhado da luz da lua que invadia o quarto pela janela. Terminou admirando-a e antes de fechar a janela, suspirou:

– Meu mundo… – e adormeceu.

Abriu os olhos, viu a claridade e os fechou. Sua mente voltava a trabalhar e agora não conseguiria dormir mesmo que quisesse. Sentiu uma leve pontada na cabeça, aquela dorzinha matinal de sempre… Agora sabia que estava tudo bem.

Nem levantou e teve seus pensamentos interrompidos por uma buzina e os gritos do vizinho reclamando com o caminhoneiro. Puxou a cortina para cobrir a claridade. “Droga” pensou. Naquele dia decidiu cedo como estaria ao longo do dia, com mau humor.

Juhliana Lopes